“Decidi ignorar joguinhos, visto que você também não me procurou nesses dias. Vamos sair de novo?” — Breno me rouba um sorriso com essa mensagem.
Ao me virar na cama pra responder, me dou conta de duas coisas. A primeira é a dor de cabeça com boca seca e tonteira: tô de ressaca. A segunda é que Ian dormiu de conchinha comigo, na minha cama.
As memórias do dia anterior voltam: eu e ele juntos, fumando maconha, andando de skate e bebendo madrugada adentro.
Como se meus pensamentos sobre Ian fizessem barulho, ele acorda atrás de mim e desengata da conchinha.
— Tenho que ir — ele diz ao tocar o chão. Tira a bermuda que emprestei, veste o jeans e abre o sorriso cansado.
Não aceito.
Me jogo contra ele, mordendo e lambendo o queixo do Ian feito marshmallow.
— O que você tá fazendo, cara? — Ian se afasta e explica: — Não tô no clima.
E quando estará de novo?
Levo Ian até a cozinha e pergunto se quer comer antes de ir embora, mas ele já abriu a geladeira pra escolher refrigerante com uísque e gelo. Ele enche outro copo pra mim e mete a língua na minha boca antes de me beliscar de levinho.
Eu não entendo.
Ian me posiciona de costas contra o balcão e desce minha calça. Ele olha pro meu p** inflado e o sorriso dominante se desmancha. O indeciso dá um tapinha na minha coxa como quem diz “vista-se”, vira o copo no esôfago e sai da minha casa sem se despedir.
Isso tá ficando chato pra caralho.
“Vamos” respondo ao Breno.



