Como a gente começou a se beijar é uma lembrança que vai se reconstituindo lentamente, conforme Ian experimenta minha língua com a curiosidade controlada de um geminiano sistemático.
Sabemos o que estamos fazendo. Somos grandinhos.
Mas sinto um forte senso de responsabilidade ao entender que ele nunca teve as orelhas lambidas por outro cara; os lábios beliscados e chupados feito chicletes tutifruti.
Quando paro de beijar e estaciono minha b**** nua sobre as coxas magras dele, vejo Ian sorrir. É como se quisesse me confortar ao dizer em silêncio que “tá tudo bem, continua”.
Continuo.
Escorro minha língua pela clavícula afiada do moleque, circulando depois na ponta do mamilo minúsculo, até descer e cobrir a cabeça rosada do p** dele com a minha boca.
No sobe e desce da felação molhada, não deixo de pensar no sorriso que ele me deu. Talvez pra me confortar, é claro. Mas poderia ser pra confortar a si pelo que está acontecendo. Um jeito de pensar que “tá tudo bem ser c****** pelo Enzo, é só uma experiência”.
Porque sei que enquanto lambo e sugo; enquanto massageio meu corpo usando o dele e dou meu máximo para estimulá-lo, não passo de uma curiosidade a ponto de ser saciada.
Ian solta um grunhido e afasta minha cabeça quando chega perto do orgasmo. Sinto o gosto salgado dele misturado à minha saliva ao me intimar:
— Deixa eu c**** você.
Quando botamos o pé na Avenida Gláucio Gil a caminho da praia mais cedo, eu sabia que a gente terminaria a noite por cima um do outro na casa dele. Eu sabia que ficaria mais apaixonado do que me permito e sabia que quando este exato momento chegasse, minha resposta pra ele teria de ser “sim”.
Complacência é o único jeito de garantir minha participação nas aventuras e explorações desse cara.
A alternativa é a solidão — e solidão é muito pior do que servir de experimentação pra um hétero curioso.



