Ian diminui a velocidade com a qual me acerta por detrás e tira o p***** de mim, já flácido por dentro da camisinha cheia. Ele a remove, amarra e joga no chão.
Eu não alcanço o orgasmo, mas isso nem passa pela cabeça dele porque não faz diferença: eu sou só uma experiência.
— Vou pegar cobertores pra fazer sua cama — ele diz depois de recuperar o fôlego.
Me visto enquanto assisto Ian resgatar um edredom do alto do armário embutido. Diferente de mim, ele se move para improvisar uma cama extra como se estivesse vestido: sem vergonha.
Mesmo que nosso fim já tenha começado, o silêncio inconfortável entre o orgasmo dele e o anúncio da minha cama pronta no chão ainda é menos pior do que voltar sozinho pra casa.
Ele se limpa com papel higiênico, se mete pelado debaixo do cobertor sobre a cama e apaga.
Digo que não quero me envolver, mas é a primeira coisa que faço com um cara que nem me quer de verdade; um que está saindo com a minha amiga.
Tem algo errado comigo.
Peço um carro, volto pra casa, e passo a semana inteira me perguntando como ele vai me tratar quando a gente se ver de novo.
Não demora pra que surja uma social na Barra da Tijuca. O apartamento está tomado por sacos de papel e bandejas de refrigerante do McDonald’s, e o fedor do cheddar se mistura com a fumaça espessa de maconha.
Falo com todo mundo quando chego: é meu jeito de rodar a festa à procura do Ian, que não está. A surpresa fica guardada até eu abrir a porta do banheiro na hora de mijar:
— Não sai — Ian pede quando o flagro sentado no vaso com a Sofia por cima, só de sutiã.
Saio do banheiro imediatamente. Preciso me selar a vácuo, então desço pra fumar na orla. Ian surge ao meu lado.
— Tá com ciúme? Seu blog tem histórias mais malucas — ele insinua.
— Dá um tempo — eu respondo, fazendo uma careta. O sorriso perverso do Ian rasga o rosto dele.
— Me beija de novo — ele manda.
É exatamente isso o que eu quero e não entendo por que. Não há carinho aqui; mas também não há tesão. Ele nem faz meu tipo físico, e ainda assim eu quero fazer tudo que ele diz.
Faz tempo que não me sinto íntimo com alguém. Tô cercado de gente, mas me sinto separado. Diferente. Ter um segredo com Ian, um no qual eu sou o alvo da atenção dele, parece atender essa necessidade de conexão mesmo que de jeito precário.
Acho que é por isso que estou apaixonado: pelo que posso imaginar. Quero o potencial de um romance com ele. Quero o cheiro de cravo dos cabelos dele no meu travesseiro.
Não quero ser só uma experiência, mas já estou beijando o Ian de novo e vario entre a vontade de arrancar nossas roupas e chorar.
— Sobe comigo, já mandei a Sofia rodar — ele diz e se põe a caminho do prédio sem me esperar.
Numa demonstração inédita de amor próprio, eu caminho na direção oposta e abro o aplicativo de pegação.



