Não sei o que somos, mas Breno me apresenta aos amigos. Saímos pela semana inteira e todos dizem que sou um garoto de sorte, que ele não gosta de ninguém. Perguntam o que fiz pra prendê-lo desse jeito e eu não faço ideia.
Talvez nem ele saiba.
— Ainda não assumi pros meus pais porque nunca encontrei quem valesse a pena. Você topa? — Breno pergunta sem tirar as mãos do volante no caminho de volta.
Isso parte meu coração.
— Você me conhece há pouco tempo — eu pontuo.
— Só tô dizendo como me sinto: que você vale a pena. Não quero esconder o que temos — Breno dá de ombros como se tivesse explicado a coisa mais óbvia.
Nós temos algo. Eu tenho algo por ele?
Antes que eu abra a porta pra descer na minha casa, Breno me puxa para um beijo infinitamente mais gostoso do que o nosso primeiro.
Fecho a porta pra encerrar a segunda e reabro na noite de terça pra saber o que o pálido e bêbado Ian quer comigo, trotando casa adentro como se soubesse que estamos sozinhos.
Ele segura meu rosto e me prensa contra os armários suspensos, forçando minha boca a abrir pra receber o beijo dele. O hálito cheira à vodca e já não cisca meus lábios; Ian me engole.
— Aqui não — nos impeço quando começamos a tirar as roupas. Não quero essa transa na cozinha: quero na minha cama. Mas chegar lá é impossível e a gente molha o chão todo de tesão.
Ian desaparece quando fecha minha porta na terça pra eu reabrir pro Breno na quarta. Decido ser honesto:
— Eu gosto de outro cara. A gente transou.
Dá pra ver o nó agarrado no pomo de adão do Breno: a figura do desapontamento.
Ele não diz nada, some com o carro na curva, e em vez de triste eu me sinto aliviado quando fecho a porta pra sábado chegar.
A gente se arruma na minha casa. Ian me beija vez ou outra. Tomamos banho juntos e transamos rápido sob a água. A gente chama um carro e ele senta na ponta oposta. Ele não me encara, mas está sorrindo. Parece um boneco.
Se não o puxo para um dos cantos escuros da boate; se não o forço a parar a caminhada de bêbado para segurar meu corpo; ele não me beija.
Não que eu quisesse um desfile cívico do que temos em segredo, mas me esconder dói.
E piora.
Amanda chega e Ian pula em cima dela. Eles somem por quase uma hora e aparecem agarrados na pista.
Não tenho sangue de barata; melhor ir embora.
O cachorro comendo lixo corre desesperado quando me aproximo do poste sujo e viro a esquina escura, onde vomito a tequila. Um flash de pânico me torna obcecado em pedir perdão ao Breno, então faço via texto o melhor que posso pra aliviar meu ego em pânico:
“Desclpsa eu teRr sido babaca naqele dia”.
Breno me bloqueia sem responder.



