Não é como se eu pudesse fechar os olhos e deixar tudo para trás. Apesar da vontade de reiniciar minha vida, moro no Rio de Janeiro: aqui é pequeno, todo mundo se conhece. Não gosto de fingir que desconheço o Ian quando o encontro ou que nossas histórias foram só rascunhos de gaveta.
Preciso de um tempo.
Quando chego em São Paulo pra visitar um amigo, fico com um dos colegas dele e aprendo que um mês não curou nada: só me distraiu do incômodo que é o arrependimento.
Meu amigo diz que não estou abusando da hospitalidade, mas me sinto um peso depois que a semana passa. Com um monte de novas histórias, volto pro Rio de Janeiro e madrugo no laptop: programo posts no blog sobre os garotos que conheci em São Paulo e perco o ar quando surge uma notificação de comentário do Breno.
Não sei se quero saber o que ele diz, mas clico por reflexo e leio: “Hoje sou eu quem se arrepende por ter dito um monte de babaquice. Não fui honesto sobre o que acho de você. Peguei pesado pra te machucar. Fui ignorante porque não quero ser só um conto no seu blog. Serei?”
Sobre o doce garoto apaixonado, eu não sei.
Já sobre o garoto hétero e curioso, aperto “Publicar” e fecho o computador.
Ian é apenas um conto.
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Leia a continuação
Enzo retorna em “Sobre garotos que beijam homens” ao abandonar os erros do Rio de Janeiro para começar de novo em Santa Catarina — onde se envolve com o pai do namorado.





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